Ensaio sobre ela.

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É cara, ela ainda escreve aqueles textos. Não que alguém por esse mundão afora se importe com aquele turbilhão de palavras vomitadas no sketchbook e depois maquiadas na tela do computador, mas ela me disse que antes você parecia gostar daqueles versos. Mas só parecia mesmo. E quer saber de uma coisa? Ela também deixou toda essa história pra lá.
Dizem por aí que em um belo dia ela acordou e não conseguiu enxergar as certezas que trazia consigo, porque na verdade nunca as teve, viu que era prisioneira de algo que ela nem sabia que podia estar ali e que das poucas coisas que sabia além da certeza da morte era que aquele ergástulo cerebral era a pior prisão que podia existir.
Tão jovem, respirando os graffites e pixações dessa cidade, quando acordou seu pulmão já tinha cansado de tanto tragar da espera, do frio na barriga, dos amores vazios, da hipocrisia, da falsidade de quem fazia tão pouco por ela, da ameaça constante do ”tem que ter pra ser”, se cansou de tragar da estupidez humana, da apatia, da angústia, da insatisfação, da injustiça, da agitação e loucura, da busca sem fim de algo que ela continua não sabendo o que é.
E putz! Logo ela que nunca foi de seguir conselho algum, começou a seguir o conselho de um moço notável que chegou e falou pra ela ir viver, mas viver mesmo, sabe? E agora ela tá lá, jogando videogame e rindo do adversário, agora ela tá lá acendendo um cigarro e conversando com o estranho da festa, ela tá lá aprontando com as amigas e rindo das idiotices que os amigos fazem, ela tá lá olhando o céu a noite e ouvindo as milhares de discografias que ela ganhou do avô, ela tá lá virando madrugadas sentada no parapeito da janela só pra não perder a beleza na simplicidade de ver o sol nascer, ela beija quem quiser sem compromisso porque já não sabe brincar de se apaixonar e ainda bebe vinho de vez em quando, mas juro que é só um pouquinho viu? e eu ainda tenho vontade de voltar no tempo só pra fazer a gargalhada dela tocar no rádio na época em que não existia tv. E ela tá de boa, deixou toda essa baboseira pra lá e tá vivendo, vivendo mesmo, pra valer. Vocês também deviam tentar, se perder por aí sem data pra voltar é bom.
Ah, mas deixa eu contar um segredo pra vocês, ao mesmo tempo que ela cansou de umas coisas ela sente falta de tantas outras, ela sente falta da música do Pixies que o ex tocava pra ela, mas ela sente falta da música, não do ex, ela ouve, ouve, ouve e a saudade não passa nunca! talvez a saudade não seja nem da música em si que se tornou nostálgica, mas sim do momento, é que a vida é só um instante mesmo.
O mais engraçado dessa menina mulher é a forma como ela consegue esconder do mundo essa mistura enorme de sensações, não sei como mas ela consegue trancar tudo dentro daquele olharzinho blasé de “caralho! você não me conhece mesmo hein? e nem nunca vai conhecer” talvez isso seja uma virtude, vocês não acham? Tenho a teoria de que talvez ela seja um pouco especial, mas ela pensa tanto que sabe que não é nada no fim de tudo.
Ela parece arte, sem querer acaba fazendo você se sentir meio ”coisado” e ao mesmo tempo feliz com a forma como age e fala. Não sei muito bem descrever, mas a sensação é diferente sabe? Ela é como se todas as músicas atuais e de outras décadas se juntassem e você não conseguisse ficar parado e precisasse muito dançar. Mas deixa eu falar só mais uma coisa sobre essa garota do coração bom, selvagem e corrompido que eu mal conheço: cara, ela ainda escreve aqueles textos. Pode ter certeza.

Bisous, Taía. 

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